Seu coach espiritual e religioso é IA. E você nem sabe
A IA generativa é, por natureza, um sistema de adaptação.
Ela imita linguagem, padrões emocionais, estilos de aconselhamento.
O que poderia ser um acesso eficiente a informações se transforma num bate-papo contínuo com uma figura de autoridade.
O algoritmo se torna pastor, coach e, às vezes, referência moral.
O risco não é só individual. É coletivo.
Nas mesmas redes sociais há diversos vídeos de pessoas pedindo para denunciar o perfil de Yang Mun.
As plataformas, para variar, demoraram demais para agir. Ele continua lá, com contas reservas e tudo.
Afinal, esses conteúdos engajam, prendem os seguidores, criam dependência.
Tudo que as Big Techs querem.
Já existe até um projeto brasileiro para identificar os perfis de IA que fazem marketing de influência espiritual e religioso sem deixarem isso claro.
Chamado de Profetas Sintéticos, trata-se de uma plataforma aberta que usa, olha só, inteligência artificial para validar que é real de quem é virtual.
Até o momento que escrevo este texto, o site diz já ter identificado mais de 60 perfis que não são humanos.
Um deles é o de Aharon Viana, mistura de pastor com cantor country, que tem cerca de 500 mil seguidores no Instagram e vende um “áudio devocional”.
A questão é que estamos tão treinados pelos algoritmos a consumir exatamente o que já acreditamos, e a ignorar o que nos desafia, que a mensagem se tornou mais importante que o mensageiro.
Não importa se é um monge real ou gerado por prompt.
Não importa se é uma vovó no Coachella ou um deepfake.
Não importa se a voz de encorajamento vem de um ser humano ou de um servidor na nuvem.
Se ressoa, se conforta, se confirma o que já sentimos?
Consumimos.
E alguém, em algum lugar, está lucrando muito com isso.
A pergunta que fica: se o conforto é real, o engano importa?