IA vira ‘GPS do coração’ de cirurgia, e paciente sai no mesmo dia
A comparação mais apropriada, no entanto, é com o Google Maps, já que a IA funciona como o GPS do médico dentro do coração, indicando a todo momento o desfecho de cada mudança de direção da sonda.
Na cirurgia acompanhada pelo UOL, o paciente era um homem de 81 anos, um caso complexo dado que sua valva mitral já estava muito distendida.
Na sala de operação, há bem menos sangue do que se espera para uma intervenção no coração, e tudo parece uma mera operação logística. Lá dentro, todos vestem aventais de chumbo para bloquear a radiação ionizante dos equipamentos de raio-x.
Um time compacto -cardiologista intervencionista, ecocardiografista ou cardiologista de imagem, cirurgião e enfermeiro- se comunica a todo tempo sobre se o cateter está indo na direção certa ou implicações da anatomia do paciente no caminho escolhido. Eles usam headsets modernos, com microfone e fone. Fora isso, o cirurgião se orienta pelo que mostram as quatro telas diante dele, enquanto o cardiologista especializado em imagem analisa no seu próprio quarteto de displays o que vê e dá orientações.
A imagem é crucial porque não podemos olhar dentro do tórax do paciente. Quando inserimos o dispositivo para reparar a valva, a IA nos ajuda a posicioná-lo exatamente no ponto onde achamos que está o maior vazamento e a otimizar a nossa localização”
Martis Vans, cardiologista especialista em imagem de intervenção do Hospital St. Antonius, na Holanda
Quando o cateter chega próximo da valva, a conversa passa a ser para decidir o momento exato do “clique”. Nesta hora, a IA já havia cumprido sua função. Pelo que a reportagem acompanhou, o desafio maior é aplicar o pregador na primeira cúspide. O coração do paciente continua em pleno funcionamento, e os médicos precisam decidir o momento exato só com o que veem na tela. Ainda assim, o primeiro “clique” certeiro não leva mais do que três minutos. O segundo vem na sequência.