fóssil encontrado no interior dá pistas sobre evolução das cobras
As cobras evoluíram a partir de ancestrais lagartos e acredita-se que tenham surgido pela primeira vez há cerca de 170 milhões de anos, durante o Período Jurássico. No entanto, não há fósseis de cobras bem preservados do Jurássico e apenas alguns poucos do Cretáceo subsequente, o capítulo final da era dos dinossauros.
“As cobras representam um dos planos corporais mais extremos entre todos os vertebrados — animais com coluna vertebral. Compreender a origem desse grupo peculiar e, ao mesmo tempo, altamente diversificado continua sendo um dos maiores mistérios da evolução dos vertebrados”, disse Tiago Simões, professor de biologia evolutiva da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, e autor principal do estudo publicado esta semana na revista Nature.
Simões explicou que aproximadamente 60% do crânio e 70% da coluna vertebral estão preservados no fóssil, que foi encontrado no município de Presidente Prudente, no estado de São Paulo. A maior parte da região craniana preservada era formada pela caixa craniana e pelos ossos do teto do crânio, com a parte posterior da mandíbula posicionada como estaria quando o animal estava vivo.
“A Tametara entra para um seleto grupo de cobras do Cretáceo espetacularmente preservadas, com apenas quatro espécies no total apresentando preservação semelhante. Isso nos revela algo que, até recentemente, nunca imaginávamos poder aprender com fósseis: a evolução inicial de seu sistema nervoso central”, disse Simões.
“Isso revela uma história mais complexa da evolução inicial das cobras: uma maior diversidade inicial de adaptações neurossensoriais na evolução das cobras e uma trajetória evolutiva de adaptações a diferentes ambientes que não foi rápida nem linear. Envolveu incursões múltiplas e independentes das cobras em diferentes ambientes ao longo de sua longa história evolutiva”, disse Simões.
Os fósseis têm mostrado que as cobras do Cretáceo se adaptaram a estilos de vida escavador, terrestre e marinho.