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Conheça NFT, investimento virtual que sorteou viagem ao espaço

Conheça NFT, investimento virtual que sorteou viagem ao espaço

Reprodução de NFTs da série Mini Mutants, em alta no marketplace OpenSea

Reprodução de NFTs da série Mini Mutants, em alta no marketplace OpenSea
Reprodução da Internet/OpenSea

Salas exclusivas em aeroportos, contas premium em bancos, isenção de tarifas e programas de fidelidade com pontuação em dobro. Tudo isso parece pouco perto dos novos tipos de investimentos criados no mundo digital, que elevaram a noção do que é “VIP”, a ponto de oferecer prêmios e vantagens como viagens em foguetes.

Foi assim que o engenheiro Victor Hespanha, de 28 anos, tornou-se o primeiro turista espacial do Brasil. O mineiro investiu no NFT (Non-Fungible Token – Token não fungível, em português) Gen-1, ativo da CSA (Crypto Space Agency), agência espacial do mercado cripto. Como prêmio, participou do sorteio, e foi um dos ganhadores, de um lugar no quinto voo tripulado do foguete New Shepard, da empresa Blue Origin, do bilionário Jeff Bezos.

A viagem, igual à que Bezos fez no ano passado, foi um voo suborbital de cerca de 10 minutos, realizada em 4 de junho, um sábado. Havia outros cinco passageiros além do brasileiro, que ficou com o assento número dois da nave, e levou consigo uma bandeira do Brasil. Nenhum astronauta profissional acompanhou os seis turistas no foguete, que também não tinha piloto.

Nesse tipo de voo, o foguete atinge uma altitude máxima e, em seguida, desce em queda livre, com a ajuda de paraquedas, até a Terra. O pico de altitude que o New Shepard alcança é de, aproximadamente, 100 km, e a velocidade máxima é 3.700 km/h.

O tempo transcorrido entre a decolagem do foguete e a aterrisagem do primeiro módulo foi sete minutos, e de 10 minutos foi o período entre a decolagem e o pouso da cápsula com os passageiros. Apesar de rápida, a viagem permitiu que os tripulantes experimentassem a gravidade zero, e flutuassem durante parte do percurso.

Investimento, token e blockchain

Hespanha pôde viver essa aventura depois de investir R$ 4.000 em um NFT da CSA. A agência espacial virtual, que prevê a realização de mais voos espaciais, disponibilizou 5.555 Gen-1, NFTs da mesma série do que foi comprado pelo brasileiro. 

Ao investir, comprar ou “mintar” um NFT, termo usado no setor, o investidor se torna membro da comunidade dos proprietários de tokens de uma mesma série, e passa a ter direito a benefícios e vantagens exclusivos do grupo. Podem ser o acesso prioritário a eventos, o recebimento de produtos ou a participação em sorteios, entre outros prêmios.

Para entender o que são e como funcionam os NFTs, é preciso ter em mente que as transações com criptoativos só são possíveis graças à tecnologia conhecida como blockchain (palavra em inglês que significa “corrente de blocos”, em tradução livre). Trata-se de um banco de dados online que registra todas as transações realizadas, e que pode ser acessado por qualquer usuário envolvido nessas operações, que são os participantes, chamados de “nós” da corrente. Eles controlam, tomam decisões e atuam como auditores das movimentações. 

No mundo real, ao contrário do virtual, as operações financeiras são fiscalizadas pelo governo e por bancos, empresas, auditores contratados ou grupos da sociedade civil.

O compartilhamento dos dados garante a transparência da blockchain. Além do acesso online, os envolvidos nos negócios têm uma cópia da blockchain de que participam em seus computadores, em qualquer lugar do mundo. Ao acessá-la, todos veem as mesmas informações, e nada pode ser modificado sem consenso. O que já foi registrado não pode ser apagado, e as novas operações são inseridas como alterações, e validadas por todos os usuários, sem intermediários.

O token é um símbolo, uma representação de algum item do mundo digital, que é armazenado pela tecnologia blockchain. No universo cripto, de operações financeiras, os tokens representam ativos digitais (investimentos, propriedades, bens, obras de arte ou dinheiro) em uma blockchain.

Existem diferentes tipos de tokens, com nomes e propostas distintas. As criptomoedas, usadas como dinheiro eletrônico, por exemplo, como o Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH), estão na categoria “payment tokens”. Já os “utility tokens” são os ativos que oferecem um benefício, como o acesso a um serviço, ou um desconto na compra de um produto.

Os “fan tokens” são aqueles relacionados, por exemplo, a clubes de futebol ou times de basquete. Eles permitem que os proprietários participem de promoções e enquetes relacionadas à equipe, ou tenham acesso ao estádio e a outros locais, normalmente restritos. Outra modalidade é dos “security tokens”, que têm relação com ações negociadas em bolsas de valores e, por envolverem produtos do mercado de capitais, devem seguir suas regras.

Independentemente do tipo, os tokens também podem ser fungíveis ou não fungíveis, característica que diz respeito à possibilidade de reproduzí-los, fazer cópias, ou não. Os NFTs, “non-fungible tokens” ou tokens não fungíveis, são um bem digital único, um código de computador registrado e irreproduzível, que pode representar um quadro, uma música, uma edição histórica de um livro ou de uma revista, desenhos, figurinhas, memes e até tuítes que ficaram tiveram alguma repercussão. 

Criptomoedas e NFTs

Já ficou famosa a frase: toda criptomoeda é um token, mas nem todo token é uma criptomoeda. Ela é usada para distinguir e explicar os ativos digitais. Segundo Caio Villa, cofundador e CIO da Uniera, plataforma de soluções para investimento em criptoativos, a confusão acontece porque há moedas digitais anexadas a blockchain própria, chamadas de criptomoedas nativas, como BTC e ETH, e outras moedas, criadas em blockchains já existentes, que operam com contrato nessas redes.

Para alguns especialistas, apenas as do segundo tipo, desenvolvidas em sistemas externos, são consideradas tokens. Alguns exemplos são a Chainlink (LINK), o Axie Infinity (AXS), o HEX  (HEX), a Cardano (ADA) e a Polkadot (DOT).

Tanto para quem considera as moedas nativas como tokens, como para quem acredita que apenas as criptomoedas do segundo tipo estejam nesse grupo, é importante saber que, nesses casos, sempre se trata de tokens fungíveis. A fungibilidade diz respeito à possibilidade de substituição do item de que se fala por outro, de mesma espécie, qualidade, quantidade e valor. 

Pode-se ilustrar o conceito com as cédulas de reais, que usamos no dia a dia: uma nota de R$ 20 é um bem fungível, uma vez que pode ser trocada por outra nota de R$ 20, em melhores condições ou mais nova. O BTC também é fungível: um investidor, que realiza uma transação em BTC, pode receber de volta outra unidade da criptomoeda, e vai continuar tendo o mesmo valor.

NFTs da Coleção Bored Ape Eighties, disponíveis para venda no site OpenSea

NFTs da Coleção Bored Ape Eighties, disponíveis para venda no site OpenSea
Reprodução/OpenSea

Ao contrário das criptomoedas, os NFTs são bens não fungíveis, tokens únicos, com valor individual e uma figura exclusiva, relacionada ao tema da série de que faz parte. “É como se fosse uma pessoa, cada uma é única”, fala Villa, da Uniera.  

Orlando Telles, diretor de research da Mercurius Crypto, usa outra analogia para explicar esse tipo de token: “Vamos pensar em um álbum de figurinhas, em que uma é diferente da outra, mas todas têm características parecidas e, juntas, formam um conjunto, têm uma unicidade entre si. Elas não são fungíveis, porque se eu pegar a figurinha Neymar, ela é diferente da figurinha do Vinícius Júnior. As duas têm mais ou menos o mesmo valor para as pessoas, mas são diferentes e únicas dentro desse conjunto que é o meu álbum”. 

Ele diz que, se alguém fizer uma cópia da figurinha, ela não vai ter o mesmo valor da original, assim como acontece com uma obra de arte, que também é não fungível, não tem como ser substituída por outra igual. 

NFTs e celebridades

As NFTs já circulam na internet há cinco anos, informa Villa, mas “se popularizaram há pouco mais de dois anos no meio cripto, e há mais ou menos um ano no streaming (tecnologia de transmissão de dados, principalmente áudio e vídeo, pela internet)”, afirma o diretor de TI. Para ele, o isolamento durante a pandemia contribuiu para a divulgação desses tokens, já que as pessoas ficaram mais tempo na frente do computador, mas o interesse de celebridades foi fundamental para que os NFTs ficassem mais conhecidos. 

Em janeiro, Neymar comprou dois NFTs da coleção Bored Ape Yacht Club (BAYC) e postou as imagens em suas redes sociais. Na época, ele pagou R$ 6,2 milhões pelos tokens, que estavam entre os mais valorizados do mercado. Porém, em junho, com a queda nos preços das criptomoedas, os NFTs do jogador perderam 87% de seu valor, chegando a R$ 800 mil. 

Villa diz que nem todo NFT custa caro, alguns até são gratuitos, pois o valor é dado pelo mercado, do mesmo modo que acontece com as obras de arte. Além disso, a valorização dos tokens também está ligada aos benefícios e vantagens a que os proprietários passam a ter direito depois da compra.

Quem adquiriu NFTs da mesma coleção de Neymar, por exemplo, ganhou direito de usar a criptomoeda ApeCoin (APE). “Só por isso, o investimento já valeu a pena, porque essa moeda é bem valorizada”, diz Villa. Em março, foi noticiado que o ApeCoin obteve uma capitalização de mercado de quase US$ 2 bilhões, depois de apenas um dia de negociação. Atualmente, cada token vale cerca de R$ 30, segundo o Bitcoin Trade. 

Também colecionam NFTs da BAYC o rapper Eminem, o apresentador de TV Jimmy Fallon, e o ex-jogador de basquete Shaquille O’Neal.

Outras séries de NFTs dão acesso a eventos exclusivos, permitem a participação em grupos privados de fóruns e redes sociais, ou a inclusão do comprador em sorteios, como o da viagem espacial. “Existem coisas que a gente nem sabe, só quem tem a NFT recebe as informações, por meio de um canal exclusivo do Discord (aplicativo para grupos de conversa, muito usado por programadores)”, conta.

Telles volta à analogia do álbum: “a figurinha mais rara, aquela que todo mundo quer ter, acaba valendo mais. Se tem muita gente precisando só dela para completar o álbum, vai existir quem esteja disposto a pagar mais caro, por ser um colecionador”, diz. 

“É a comunidade que faz o ativo ser atrativo, e a vantagem é que ele é 100% único, o que faz o proprietário ter benefícios e direitos que ninguém mais terá. Se alguém quiser, vai ter de comprar o NFT dele”, afirma Telles. A desvantagem, segundo o diretor da Mercurius Crypto, é esse ativo não ter liquidez imediata, como outros tokens e moedas. O dono depende de alguém se interessar pela compra.

Como funciona?

O diretor da Uniera fala que qualquer pessoa pode criar um NFT, desde que pague a “taxa de mintagem”, aplicada à criação de qualquer tolken. Ela se refere à ação de “mintar”, ou cunhar, um NFT, processo por meio do qual são criados os tokens em determinada blockchain.

“É claro que um único NFT não vai ter valor, a não ser que seja criado todo um ecossistema em volta dele”, comenta. Assim como os usuários fazem “mineração” de criptomoedas, para converter arquivos em ativos digitais, criando um NFT, também há métodos e plataformas específicas. Uma delas é a OpenSea, que também é o maior marketplace de tokens não fungíveis do mundo, onde estão listados os principais produtos desse mercado.

“O Opensea é só de NFTs, tem estatísticas, rankings e históricos de atividades. É possível consultar as coleções que ficaram em alta nas últimas 24h, selecionar outras datas, verificar as que estão sendo mais transacionados e as que estão mais baratas”, diz Villa.

Para ter acesso às operações no OpenSea e em outros marketplaces, “é preciso instalar um aplicativo de wallet no celular, que funciona, basicamente, como se fosse um navegador dentro da blockchain, e permite a interação com o mundo dos NFTs”, explica Telles. 

Por meio dessa “carteira online”, o usuário consegue movimentar seu capital e fazer seus investimentos em criptoativos, nos sites especializados nesses tipos de negócios. Um exemplo de wallet é a MetaMask, que permite interação com a blockchain Ethereum.

As operações que envolvem NFTs são descentralizadas e, por isso, não é possível saber quantos investidores existem em cada país ou a quantia movimentada, diferentemente do que acontece com as criptomoedas e outros tokens, que têm transações centralizadas.

Villa diz que outra vantagem das operações no mundo cripto é a informação disponível: “tudo está no Twitter ou no Telegram, as pessoas são bem solícitas, estão sempre dispostas a ajudar”, afirma. Para ele, os NFTs têm a função de inserir mais pessoas nesse universo. “É uma porta de entrada legal, mas ainda dá para fazer muito mais coisas. Apesar de não terem liquidez inicial, por ser necessário esperar por um comprador, já existem vários projetos para prover essa liquidez para os NFTs. Dá para criar vários ecossistemas, e já estão surgindo algumas ideias de funcionamento como um sistema de penhora. É um mercado gigantesco, inclusive para e-commerce, e que vai muito além da arte e da imagem em si”, finaliza.

Por que as projeções de inflação do BC e do mercado estão mais descoladas?

Por que as projeções de inflação do BC e do mercado estão mais descoladas?

Divergência entre BC e mercado é a maior desde março de 2021

Divergência entre BC e mercado é a maior desde março de 2021
Adriano Machado/Reuters – 29.10.2019

Nos últimos meses, as projeções do BC (Banco Central) e de economistas do mercado financeiro para a inflação em um horizonte de dois anos têm se distanciado, e a diferença entre elas está hoje no pior nível desde março de 2021, quando a autoridade monetária começou o ciclo de alta de juros.

Enquanto o BC ainda vê espaço para reduzir a inflação de 2023 e levar o IPCA para o nível ao “redor da meta” após dois anos de estouro, o caso já é dado como perdido pela maioria dos bancos e consultorias.

Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em junho, o BC estimou que o IPCA deve ficar em 4% em 2023 — ano que é o foco atual da autoridade monetária no combate à alta dos preços. Já o mercado financeiro agora projeta que o índice deve fechar o ano em 5,2%, segundo o mais recente Boletim Focus.

O consenso do mercado para a inflação está acima da projeção do BC desde maio de 2021 e a diferença vem crescendo desde março, logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Até fevereiro, o desvio era da ordem de 0,3 ponto porcentual. Ela subiu e chegou a 0,7 ponto em junho, com a reunião do Copom, e hoje está em 1,2 ponto.

Também há diferença nas projeções para 2024, outro ano que está dentro do horizonte relevante da política monetária. Enquanto o mercado estima uma inflação de 3,3%, o BC prevê 2,7%.

Para a autoridade monetária, os profundos choques da pandemia de covid-19 e da guerra na Ucrânia deixam tudo mais incerto, até os modelos de previsão. Especialistas avaliam, contudo, que avaliações diferentes sobre a economia global e a brasileira explicam parte da divergência e podem determinar quem vai terminar com a razão.

Explicações

Para André Braz, coordenador de índices de preços da FGV (Fundação Getulio Vargas), o Banco Central e o mercado financeiro enxergam os mesmos fatores que podem pressionar os preços, mas com magnitudes diferentes. Os lockdowns na China em razão da Covid-19, a guerra na Ucrânia, o aumento de juros nos Estados Unidos, as eleições no Brasil com gastos fiscais e a PEC “Kamikaze” entraram no radar de todos.

Mas Braz acredita que o mercado pode estar sendo mais preciso desta vez. Ele estima que a inflação termine em 7,5% neste ano e em até 5,7% no ano que vem. “Há uma adversidade maior no cenário que vai além da nossa fronteira e que influencia a persistência inflacionária no mundo todo. O Federal Reserve [banco central dos EUA] está lutando contra a inflação americana, que no mês passado veio acima da expectativa”, diz o economista. “Se está difícil para economias mais sólidas, imagina para a brasileira, que vive problemas domésticos e também é vítima de problemas internacionais.”

A combinação de maior risco fiscal brasileiro e aumento de juros americanos tende a fazer com que investidores estrangeiros tirem recursos de países emergentes, como o Brasil, e busquem rendimento em economias mais sólidas. A saída de capital pressiona o câmbio e os preços de produtos influenciados pelas cotações internacionais em dólar, como alimentos e combustíveis.

Por aqui, a taxa básica de juros está a 13,25% ao ano, e algumas casas de investimento já veem a Selic a 14% ou mais, por mais que a expectativa seja a de recuo da inflação com o teto do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em vigor.

“O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) da FGV referente à segunda semana de julho, por exemplo, saiu de uma variação de 0,72% para 0,24% em 15 dias exatamente por conta do ICMS. Mas se tirássemos a contribuição da gasolina e da energia, ele subiria de novo para 0,72%”, diz Braz. “O resultado mostra que a inflação continua alta e persistente para todo o restante. E mostra para o mercado que existe a necessidade de continuar combatendo a inflação.”

Premissas diferentes

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, argumentou na semana passada que o modelo usado pela autoridade monetária tem diferenças de premissas. A principal delas é a hipótese – adotada pelo BC desde março – de uma menor volatilidade do preço do petróleo até o fim do ano, que até agora não convenceu o mercado.

O diretor admitiu discrepâncias também na análise da trajetória de preços de bens industriais e na definição da taxa de juros considerada neutra (aquela que nem restringe nem estimula a atividade econômica) – para o BC, agora em 4%. E também avaliou que as mudanças geradas pela pandemia na economia podem demandar ajustes nos modelos de previsão.

Para o analista da Tendências Consultoria Marcio Milan, houve uma mudança estrutural na economia após a pandemia de Covid-19, o que significa que os pesos de cada item na cesta de inflação podem ter que ser revisados até que uma sintonia fina encontre a nova realidade.

“Os choques têm sido mais prolongados e os modelos têm tido dificuldade em captar essa mudança. Isso tem gerado uma maior volatilidade nas projeções, com uma variabilidade de estimativas muito maior do que era no passado”, avalia.

Ainda assim, Milan considera que o BC parece estar “muito tranquilo” em relação à inflação de 2024, que já começou a desancorar aos olhos do mercado. “Temos o IPCA acima do teto da meta já por dois anos seguidos, as projeções para 2023 já estão bem acima da meta e o ano nem começou. Vem aí uma mini-pauta bomba com a alta dos impostos federais sobre combustíveis, com uma porrada para cima nos preços. O cenário é cada vez mais preocupante”, afirma Milan.

Recessão?

Para o economista da Tendências, o BC pode estar confiando em uma recessão nos Estados Unidos para esfriar a demanda global, empurrando preços internacionais para baixo com mais rapidez. “Mas é um risco contar com um fator externo que o modelo não captura. Não se sabe se isso vai acontecer ou não”, completa.

O Copom mantém há um ano a possível reversão, “ainda que parcial”, dos preços de commodities em reais, como um fator favorável à baixa de inflação no balanço de riscos – sem materialização até agora. Mas, com as chances crescentes de recessão global, houve redução das cotações em dólar do petróleo, do milho e do trigo no último mês.

Considerando o valor em real, contudo, Vitor Martello, economista-chefe da Parcitas Investimentos, observa que os preços estão “de lado” desde o início do ano e avalia que assim devem ficar até meados de 2023, mesmo se houver uma forte desaceleração da atividade econômica global, por problemas de oferta.

Para Martello, o que mais explica a diferença de projeções entre BC e mercado para 2023 é o efeito rebote das desonerações de combustíveis (com impacto de 0,6 ponto na inflação do ano que vem) e um possível efeito de demanda de consumo mais aquecida por causa dos benefícios liberados pela PEC “Kamikaze” (0,3 ponto). Sua projeção atual para a inflação de 2023 é de 5,3%.

Já a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitoria, reduziu sua projeção de IPCA em 2023, de 4,80% para 4,40%. Ela considera que deve haver uma menor pressão de reajustes de preços com base na inflação deste ano e a expectativa de queda dos preços de commodities devido à perda de fôlego da economia mundial.

“A incerteza está pendendo para uma demanda menor. O movimento de commodities reflete isso. O BC pode ir com mais cautela na política monetária e aguardar o impacto na economia”, diz ela, que espera que a Selic termine o ciclo em 13,75%.

O economista Alexandre Lohmann, da Constância Investimentos, avalia que o cenário mais provável é algo no meio do caminho entre o cenário do BC e as projeções mais recentes do mercado para a inflação de 2023, já na casa de 5,6%. “Pode ser factível ficar abaixo do teto da meta no ano que vem. Mas o BC está muito otimista. A inflação no Brasil é muito inercial. Não acredito que vai ter desinflação para baixo de 4% [em 2023]”, diz.

ICO, tudo sobre initial coin offering

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A Initial Coin Offering (ICO) é a Oferta Inicial de Ativos Virtuais. Em resumo, por meio das ICOs, novos projetos de criptoativos são oferecidos para o mercado para os investidores.

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