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IA: OpenAI revela GPT-4.5 em meio a lançamentos de rivais – 27/02/2025 – Tec

A OpenAI recorreu à mesma técnica usada pela DeepSeek para desenvolver seu novo e maior modelo de IA (inteligência artificial) generativa, segundo anúncio desta quinta-feira (27). A estratégia reduziu o número de “alucinações”, os episódios nos quais o chatbot inventa fatos.

De acordo com a empresa, o novo modelo, chamado GPT-4.5, foi criado usando modelos de IA menores —a técnica é chamada de mistura de especialistas e foi adotada pela startup chinesa no desenvolvimento da DeepSeek-V3-R1, que chocou o mercado da tecnologia por usa eficiência.

A empresa depois avançou no treinamento do modelo gerando novas informações a partir da resposta de outras IAs generativas. Para isso, foi necessário aumentar ainda mais o processamento de dados e o arsenal de computadores de ponta à disposição.

O GPT-4.5 ainda não é um modelo de raciocínio, como a DeepSeek-V3-R1 ou o3 da própria OpenAI. Isso torna a tecnologia pior em atividades como programação, mas abre espaço para que a companhia avance mais em futuras IAs que raciocinam.

O laboratório de IA americano fez o lançamento, ainda em uma versão de testes, para programadores e assinantes do plano ChatGPT Pro (vendido por US$ 200 mensais ou R$ 1.164 por mês). Analistas veem a medida como uma resposta ao anúncio, na segunda-feira (24), do Claude 3.7 pela concorrente Anthropic, ao lançamento uma semana atrás do Grok 3, de Elon Musk, e ao sucesso da DeepSeek em janeiro.

Embora a DeepSeek tenha divulgado como desenvolveu seu modelo de IA, a OpenAI não afirma se o GPT4.5 teve inspiração direta na tecnologia chinesa.

O anúncio foca na redução na divulgação de informações imprecisas, que caiu a uma taxa de 37%, contra quase 60% na versão anterior GPT-4o.

Nesta quinta, a OpenAI disse em publicação online que o GPT-4.5 tinha “conhecimento mais amplo e uma compreensão mais profunda do mundo, levando a menos alucinações e mais confiabilidade em uma ampla gama de tópicos”.

Além disso, os modelos sem cadeia de raciocínio tendem a ser mais criativos e melhores em atividades textuais.

Outro destaque é o tamanho inédito do modelo, o que reforça a aposta da OpenAI em modelos de linguagem grandes e caros, na contramão dos resultados satisfatórios obtidos pela DeepSeek com menos processamento computacional.

“Com cada nova ordem de magnitude de computação vêm capacidades inéditas”, disse a empresa. Acrescentou que o GPT-4.5 estava “na fronteira do que é possível em aprendizado não supervisionado” —quando a IA cria novas informações a partir de correlações dos dados já disponíveis.

Detalhes técnicos sobre o desenvolvimento da tecnologia ainda continuam sob sigilo industrial, diferentemente da postura adotada por Deepseek e Meta, que permitem o download e edição de suas tecnologias.

A OpenAI tem estado na vanguarda de uma corrida global para liderar a indústria de IA e levantar dezenas de bilhões de dólares para comprar equipamento de ponta capaz de desenvolver tecnologias mais complexas.

Atualmente, a empresa liderada por Sam Altman está em negociações com o SoftBank e outros investidores para levantar até US$ 40 bilhões (R$ 233 bilhões) e chegar a uma avaliação de mercado de US$ 300 bilhões (R$ 1,75 trilhão).

Enquanto isso, a rival Anthropic também arrecadou cerca de US$ 3,5 bilhões (R$ 20,4 bilhões) com uma avaliação superior a US$ 60 bilhões (R$ 349 milhões), de acordo com o jornal Financial Times.

Os enormes custos de operação de modelos maiores levaram a OpenAI a considerar retirar o acesso de desenvolvedores ao GPT-4.5, para manter competividade em um mercado cada vez mais concorrido em termos de preço.

De acordo com o anúncio da empresa, o acesso a versão de testes do GPT-4.5 está disponível para desenvolvedores que pagam para usar os modelos da OpenAI através de sua interface de programação de aplicativos (API), mas esse acesso pode ser revogado no futuro.

Grupos de IA geram receita principalmente por meio de acesso pago à API e assinaturas individuais. A OpenAI disse que observará como os desenvolvedores usam o modelo poderoso e se vale a pena oferecê-lo a eles, considerando o alto custo de operação.

“O GPT-4.5 é um modelo muito grande e intensivo em computação, tornando-o mais caro e não um substituto para o GPT-4o [seu antecessor]. Por causa disso, estamos avaliando se continuaremos a oferecê-lo na API a longo prazo, enquanto equilibramos o suporte às capacidades atuais com a construção de modelos futuros”, disse a empresa.

Altman já disse anteriormente que o GPT-4 custou mais de US$ 100 milhões (R$ 582 milhões) para treinar. O mercado de tecnologia projeta que esses custos aumentem à medida que o tamanho e as capacidades dos modelos avancem, exigindo máquinas mais potentes para funcionar.

Com Financial Times

Visto primeiro na Folha de São Paulo

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