Falência da 23andMe acende alerta sobre dados genéticos

Falência da 23andMe acende alerta sobre dados genéticos

De lá para cá muita coisa mudou. Seu principal produto, que é um teste único, não incentivou uma relação recorrente com a clientela. Um vazamento de dados em 2023, que comprometeu informações de milhões de usuários, abalou ainda mais sua reputação, levando a uma queda expressiva em seu valor de mercado.

Falência e dados

Em 23 de março de 2025, a 23andMe anunciou que entrou com um pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11 da lei norte-americana. Essa medida permite à empresa continuar operando enquanto busca um comprador sob supervisão judicial. O anúncio veio acompanhado da saída da cofundadora e CEO Anne Wojcicki.

Em 2024, a empresa já tinha demitido cerca de 40% de seus funcionários. Agora, com avaliação estimada em menos de US$ 50 milhões, a 23andMe busca um comprador para seus ativos, que incluem não apenas sua marca, mas também um relevante banco de dados genéticos.

Em um processo de falência, os ativos de uma empresa são avaliados e potencialmente vendidos para pagar credores ou maximizar seu valor. No caso da 23andMe, seu banco de dados com informações genéticas e pessoais de 15 milhões de clientes é, sem dúvida, seu ativo mais valioso.

Esses dados, que incluem sequências de DNA, informações de saúde e detalhes demográficos, geram interesse comercial. A política de privacidade da empresa já prevê que, em caso de falência, fusão ou venda, “as informações pessoais podem ser acessadas, vendidas ou transferidas como parte da transação”, o que coloca os dados dos usuários no centro das discussões sobre o futuro da empresa. A incerteza sobre quem adquirirá esses dados e como eles serão usados intensifica o debate sobre privacidade.

O que diz a lei e a corrida para deletar dados

Nos Estados Unidos, a proteção de dados genéticos em empresas como a 23andMe é mais restrita do que em outras partes do mundo. A Lei de Portabilidade e Responsabilidade de Seguros de Saúde (Hippa), que regula a proteção de dados de saúde, a princípio não se aplicaria a companhias de testes genéticos feitos diretamente ao consumidor, pois elas não são consideradas entidades cobertas pela lei (como hospitais ou seguradoras).



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