Ilusão? Por que este buraco negro cresce ao olharmos fixamente

A ilusão do buraco em expansão é um fenômeno visual convincente no qual um padrão estático e concêntrico [termo na geometria que indica algo que tem o mesmo ponto central] evoca uma forte percepção de movimento contínuo para frente
Artigo publicado na arXiv
Como funciona a ilusão?
Segundo os especialistas, a ilusão não provoca apenas um efeito de percepção em quem olhar a imagem. Ao observar fixamente a figura, há efeitos físicos como a dilatação da pupila, uma resposta fisiológica do organismo vista também na escuridão, por exemplo, quando a pupila apresenta uma dilatação para que mais luz penetre nos olhos.
Para entender como os olhos e o cérebro atuam neste processo, os cientistas usaram um modelo computacional que imita o funcionamento da retina. Estrutura localizada na parte posterior do olho, a retina transforma os estímulos luminosos em estímulos nervosos que serão transmitidos ao cérebro, onde as imagens serão “lidas”.
Segundo a pesquisa, a ilusão da expansão tem início nos olhos e depois é transmitida ao cérebro. Ao olhar para a imagem, parte das células ganglionares da retina (neurônios que conectam a entrada da retina aos centros de processamento visual dentro do sistema nervoso central) foca no ponto escuro maior, e parte enxerga os pontos escuros menores. Quando recebe diferentes informações, o cérebro tende a ficar confuso e entende que o ponto maior está aumentando de tamanho e se movimentando.
A ilusão de que o ponto preto está se mexendo foi comprovada pelos cientistas a partir do chamado filtro Diferença de Gaussianos, ou DoG. Este sistema computacional tem um algoritmo que detecta bordas em imagens e funciona de forma semelhante à visão humana, criando uma versão borrada de determinada imagem e aplicando dois raios de desfocagem, imitando as células ganglionares da retina. A partir do DoG, os pesquisadores concluíram que diferentes células interpretam a mesma imagem de maneiras também diferentes.