Dólar sobe e fecha a R$ 5,24, de olho em decisões de juros no Brasil e nos EUA; Ibovespa recua
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta de 0,90% nesta quarta-feira (18), cotado a R$ 5,2457. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,43%, aos 179.640 pontos. O dia foi marcado por cautela elevada, com investidores em busca de ativos considerados seguros, como a moeda americana.
📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
▶️ A maior expectativa ficou em torno da decisão de juros no Brasil. Grande parte dos analistas projeta um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic, taxa básica da economia, a 14,75% ao ano. Se confirmada, será a primeira redução desde maio de 2024 — após quase dois anos.
▶️ Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Apesar do cenário incerto com a guerra no Oriente Médio, autoridades do Fed mantiveram a previsão de um corte de 0,25 ponto percentual em 2026
▶️ Até agora, não há sinais de arrefecimento da guerra, que já dura três semanas. Com o Estreito de Ormuz no centro das tensões, os EUA informaram ter usado bombas de penetração profunda contra sistemas antiembarcação do Irã ao longo da principal rota global de petróleo.
▶️ O objetivo é reabrir o estreito, fechado por Teerã desde o início da guerra. Enquanto isso, o petróleo segue pressionado, com preços acima de US$ 100, aumentando os riscos para a inflação global.
🛢️ Por volta das 17h, o barril do tipo petróleo Brent subia 6,35%, a US$ 109,77, enquanto o WTI avançava 2,33%, a US$ 98,54.
▶️ No Brasil, os efeitos da guerra já chegam aos consumidores. O reajuste recente do diesel pela Petrobras, somado à alta do petróleo, aumentou a pressão sobre os custos de transporte e levou caminhoneiros a ameaçarem uma nova paralisação. O Ministério da Justiça já disse que Polícia Federal vai investigar preços abusivos de combustíveis. O Procon também está de olho.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -1,29%;
Acumulado do mês: +2,18%;
Acumulado do ano: -4,43%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,12%;
Acumulado do mês: -4,85%;
Acumulado do ano: +11,49%.
‘Superquarta’
Copom
O Banco Central do Brasil (BC) deve iniciar nesta quarta-feira (18) um novo ciclo de cortes da Selic, após quase dois anos sem redução. A expectativa predominante do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros da economia brasileira para 14,75% ao ano.
O movimento ocorre em meio a incertezas externas, especialmente com a guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo para acima de US$ 100 e pressionou as projeções de inflação no Brasil.
Esse cenário levou economistas a reduzirem a expectativa de um corte mais intenso nos juros, indicando um início de ciclo mais cauteloso por parte do Banco Central.
Ainda assim, a tendência é de continuidade na queda da Selic ao longo dos próximos meses, podendo encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, caso o cenário inflacionário permita.
Fed
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (18), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.
Foi a segunda reunião consecutiva em que o banco central americano manteve a taxa no mesmo nível. Em 28 de janeiro, o Fed interrompeu um ciclo de três cortes seguidos, citando incertezas nas perspectivas econômicas.
A guerra no Oriente Médio e a consequente disparada do preço do petróleo no mercado global tiveram grande destaque na decisão desta quarta-feira. A principal preocupação do banco central americano é o impacto sobre a inflação no país.
Apesar do cenário incerto, autoridades do Fed mantiveram a previsão de um corte de 0,25 ponto percentual em 2026. Dos 19 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), 12 projetam ao menos uma redução, enquanto sete preveem a taxa no nível atual.
O presidente do Fed, Jerome Powell, no entanto, ponderou que “vários participantes” da reunião desta semana sugeriram que o próximo movimento pode ser de alta, sinalizando uma inclinação mais dura entre os dirigentes.
“Isso surgiu hoje”, disse, em entrevista a jornalistas após a decisão. “A possibilidade de que nosso próximo movimento possa ser uma alta foi mencionada na reunião, assim como ocorreu na reunião anterior.”
Powell afirmou que a alta dos preços de energia deve pressionar a inflação no curto prazo. “Ainda é cedo, no entanto, para saber a dimensão e a duração dos possíveis efeitos sobre a economia”, afirmou.
Guerra no Oriente Médio
Os conflitos no Oriente Médio entraram na terceira semana, sem perspectiva de cessar-fogo. Israel afirmou nesta quarta-feira (18) ter matado o ministro da Inteligência do Irã, após já ter eliminado, na véspera, Ali Larijani, uma das principais figuras do regime iraniano.
Em resposta, o Irã lançou bombas de fragmentação contra Tel Aviv, matando um casal de idosos, segundo a imprensa local. Já o Exército israelense também bombardeou o centro de Beirute, no Líbano, deixando seis mortos e 24 feridos, de acordo com autoridades locais.
Os Estados Unidos também intensificaram a ofensiva e utilizaram uma bomba de penetração contra posições iranianas no Estreito de Ormuz. Acompanhe aqui a cobertura a vivo da guerra.
Combustíveis
O governo quer apertar a fiscalização para garantir que caminhoneiros recebam um valor mínimo justo pelo frete. Empresas que pagarem menos poderão ser punidas, até com suspensão das atividades.
A medida será anunciada nesta quarta (18) e faz parte de um esforço para evitar uma nova greve de caminhoneiros, diante da alta do diesel.
Apesar da redução de impostos federais, o governo avalia que o impacto no preço ainda é limitado sem a colaboração dos estados na queda do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte e Comunicação (ICMS), o que mantém a pressão sobre a categoria.
Nesta tarde, o governo federal propôs que estados zerem o ICMS sobre a importação do diesel até o fim de maio, com compensação de metade das perdas. A medida pode custar R$ 3 bilhões por mês, sendo R$ 1,5 bilhão bancado pela União. A decisão deve sair até 28 de março.
▶️Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia solicitado “boa vontade” dos governadores para reduzir também o ICMS, após o governo ter reduzido o PIS e a Cofins.
▶️Nesta semana, porém, os governadores informaram que não reduzirão o ICMS pois isso prejudicaria o financiamento de políticas públicas, e também porque cortes no imposto “não costumam ser repassados ao consumidor final”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reúne nesta quarta com estados para discutir o assunto. Ele também confirmou hoje que deixará o ministério na sexta-feira (20). O g1 preparou uma reportagem especial que reúne 10 gráficos sobre seu período à frente da economia.
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices tiveram forte queda após a decisão de juros nos EUA e a demonstração de preocupação de Powell com o progresso no combate à inflação.
O Dow Jones recuou 1,64%, o S&P 500 caiu 1,35% e o Nasdaq teve perdas de 1,46%.
As bolsas europeias fecharam em queda nesta quarta, pressionadas pela alta do petróleo após um ataque a um campo de gás no Irã, o que reacendeu temores sobre a guerra no Oriente Médio.
O índice STOXX 600, um dos principais índices de referência da Europa, caiu 0,70%, interrompendo dois dias de ganhos. Entre os principais mercados: Londres recuou 0,94%, Frankfurt caiu 0,96%, Paris perdeu 0,06%, Milão caiu 0,33% e Lisboa recuou 0,44%. Na contramão, Madri subiu 0,29%.
Na Ásia, as bolsas também fecharam em alta, impulsionadas pelo otimismo com inteligência artificial após resultados do Alibaba, uma das maiores empresas de tecnologia da China.
Por conta disso, o índice de Xangai avançou 0,32%, enquanto o CSI300 fechou em alta de 0,45%. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,61%. Em outros mercados, os ganhos foram mais fortes: o Nikkei, do Japão, saltou 2,87%, e o Kospi, da Coreia do Sul, disparou 5,04%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar e real
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Matéria original