Anthropic suspende oferta de IA para empresas da China – 04/09/2025 – Tec

Claude
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A Anthropic vai deixar de fornecer serviços de inteligência artificial para empresas controladas majoritariamente por grupos chineses, na primeira vez que uma companhia americana do setor adota uma medida do tipo.

A desenvolvedora do Claude, com sede em San Francisco, busca limitar a possibilidade de Pequim explorar sua tecnologia em benefício das forças armadas e dos serviços de inteligência chineses, segundo um executivo da empresa ouvido pelo Financial Times.

A política, que entra em vigor imediatamente, atinge gigantes como ByteDance, Tencent e Alibaba.

O executivo disse que a empresa está agindo para fechar uma brecha que permitia a empresas chinesas acessar IA de ponta. A restrição também valerá para adversários declarados dos EUA, como Rússia, Irã e Coreia do Norte.

O movimento ocorre em meio à crescente preocupação em Washington com companhias chinesas que criam subsidiárias no exterior para mascarar tentativas de obter tecnologia americana.

O executivo afirmou que tanto clientes diretos quanto grupos que usam os serviços da Anthropic via provedores de nuvem serão afetados. O impacto financeiro global seria de alguns milhões de dólares, valor considerado pequeno frente à escala da empresa.

A decisão implica perda de mercado para concorrentes, mas a Anthropic considera necessário dar um sinal claro sobre o que chamou de problema significativo.

O objetivo, disse o executivo, é alinhar a estratégia da companhia ao compromisso de que a IA transformacional deve avançar os interesses democráticos e a liderança dos EUA no setor.

O anúncio surge enquanto cresce a apreensão sobre o uso de IA pela China em aplicações militares —de armas hipersônicas a modelagem de ogivas nucleares.

No início do ano, a startup chinesa DeepSeek abalou a indústria ao lançar o modelo aberto R1, considerado comparável aos líderes americanos. A OpenAI acusou a DeepSeek de usar de forma indevida seus modelos para treinar o R1, acusação não comentada pela empresa chinesa.

O governo Biden já havia imposto amplos controles de exportação para dificultar o acesso da China a tecnologias avançadas de IA.

O governo Trump, por sua vez, ainda não implementou novos controles, enquanto o presidente tenta viabilizar um encontro com Xi Jinping. Fontes próximas afirmam que a medida da Anthropic também mira subsidiárias chinesas em lugares como Singapura, criadas para contornar inspeções mais rígidas.

Nos EUA, o temor é de que companhias chinesas sejam obrigadas a compartilhar dados com o governo de Pequim, o que representaria risco de segurança nacional. Além disso, há receio de que a apropriação de tecnologia americana proporcione vantagem competitiva injusta a grupos chineses.

Fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI, a Anthropic tem defendido políticas de segurança mais rígidas. Em janeiro, seu CEO Dario Amodei defendeu o fortalecimento dos controles de exportação à China. A empresa anunciou nesta semana que levantou US$ 13 bilhões em nova rodada de financiamento, atingindo valor de mercado de US$ 170 bilhões.

O acesso a chatbots americanos —como Claude, ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google) e a IA da Meta— é bloqueado na China. Ainda assim, usuários no país conseguem contornar as restrições por meio de VPNs, em desacordo com os termos de uso das plataformas.

Visto primeiro na Folha de São Paulo

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