São Paulo
A Meta adiou para 20 de novembro a atualização de seus termos comerciais, em meio a preocupações de entidades que representam jornais e outros veículos de mídia sobre rastreamento e coleta de conteúdo dos sites de notícias.
Anteriormente, a atualização estava prevista para 30 de outubro.
Ícone do aplicativo do Facebook em uma tela de celular
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Dado Ruvic – 27.out.25/Reuters
A Meta disse à Folha que prorrogou a data “para ter mais tempo para esclarecer aos parceiros e stakeholders o que muda e o que não muda —incluindo como a Meta usa rastreadores da web (web crawlers) e o fato de que os proprietários de conteúdo continuarão podendo usar o robots.txt para sinalizar suas preferências”.
O robots.txt é um arquivo com a lista de quais robôs têm ou não têm autorização para acessar seu conteúdo. Não é uma barreira de segurança, mas sim um aviso.
Em texto publicado em seu site na quinta-feira (22), a Wan-Ifra (Associação Mundial de Editores de Notícias) disse que os novos termos autorizam a Meta a usar ferramentas automatizadas para acessar sites associados a qualquer empresa que utilize seus serviços e a continuar coletando atualizações desses sites.
Segundo a entidade, com a mudança, a Meta poderia rastrear e coletar conteúdo dos sites de editoras de notícias como condição para que as empresas usem o Facebook, o Instagram, o WhatsApp e o Messenger para fins comerciais.
“Como quase toda organização jornalística mantém uma página no Facebook (a conta pública usada por empresas e editoras), um perfil empresarial ou uma conta de anúncios nas plataformas da Meta, a cláusula alcançaria o jornalismo dos veículos no mundo todo, não apenas o conteúdo que eles escolhem compartilhar na Meta. Editoras de todos os tipos, de jornais nacionais a títulos locais e revistas segmentadas, seriam afetadas”, afirmou a entidade.
Em nota à reportagem, a ANJ (Associação Nacional de Jornais) disse esperar “que a Meta não apenas recue definitivamente desta aberração ética e jurídica como passe a negociar, nos devidos termos legais e morais, a autorização para uso de conteúdos de terceiros em seus produtos, em particular os de IA”.
Também nesta semana, o grupo Movement for an Open Web (Movimento por uma Web Aberta), cujos membros incluem anunciantes digitais e empresas jornalísticas, disse ter apresentado queixa à Comissão Europeia e à Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido e solicitado medidas cautelares. A entidade afirma que a mudança daria à Meta um direito ilimitado de usar conteúdo de jornais em seus serviços de inteligência artificial.