Dólar dispara 2,3% e fecha a R$ 5 após vazamento de conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

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Áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro; ouça
O dólar disparou e fechou em alta de 2,31% nesta quarta-feira (13), cotado a R$ 5,0085. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,80%, aos 177.098 pontos.
O mercado reagiu ao vazamento de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As mensagens mostram que Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro e que Flávio pressionou o banqueiro pela liberação dos pagamentos.
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▶️ As informações foram reveladas nesta quarta-feira pelo portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e a um áudio enviado por Flávio ao banqueiro em setembro do ano passado. (ouça no vídeo acima)
▶️ A TV Globo confirmou com investigadores e pessoas com acesso às informações a existência do áudio e do conteúdo da reportagem.
▶️ Segundo o Intercept, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme “Dark Horse” entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos de um aliado de outro filho do ex-presidente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
▶️ Após a revelação do caso, Flávio confirmou ter pedido a Vorcaro que financiasse um filme sobre seu pai, mas negou irregularidades e afirmou que não tem “relações espúrias” com o dono do Banco Master.
🤔 Mas por que o dólar disparou e a bolsa caiu? O mercado avalia que o caso pode prejudicar a imagem de Flávio na corrida eleitoral e, portanto, reduzir suas chances de vitória. Essa leitura influencia as expectativas dos investidores, que entendem que uma menor probabilidade de mudança de governo pode reduzir a perspectiva de ajustes mais fortes nas contas públicas. Nesse cenário, houve pressão sobre o dólar e impacto negativo sobre o Ibovespa.
Dólar dispara 2,3% e fecha a R$ 5 após vazamento de conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
▶️ Mais cedo, nova pesquisa eleitoral mostrou que Lula voltou a aparecer numericamente à frente de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para um eventual segundo turno, embora os dois permaneçam em empate técnico.
▶️ Lula aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 41%. Na sondagem anterior, divulgada em abril, o senador liderava, após ambos terem empatado com 41% em março.
▶️ No cenário global, o encontro entre os presidentes Donald Trump, dos EUA, e Xi Jinping, da China, concentra as atenções do mercado financeiro. As conversas acontecem em meio a tensões entre as duas maiores economias do mundo, e a expectativa é que Trump pressione o governo chinês a abrir o país para empresas americanas. (entenda mais abaixo)
▶️ A guerra no Oriente Médio também segue na mira dos investidores. Em meio às tentativas de negociação de paz entre os EUA e o Irã, Reino Unido informou que vai contribuir para uma missão multinacional de defesa com o objetivo de assegurar a navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
▶️ De volta ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zera a cobrança de tributos federais sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas de comércio eletrônico.
🔎 A chamada “taxa das blusinhas” havia sido criada por lei em 2024, com alíquota de 20% para encomendas nesse valor, em uma tentativa de conter a entrada de produtos importados e reduzir a concorrência com a indústria nacional, especialmente de empresas chinesas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +2,34%;
Acumulado do mês: +1,15%;
Acumulado do ano: -8,75%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -3,81%;
Acumulado do mês: -5,46%;
Acumulado do ano: +9,91%.
Encontro entre potências
A viagem do presidente americano, Donald Trump, com um grupo de executivos para a China fica no centro das atenções dos mercados financeiros nesta quarta-feira. Esse é o primeiro encontro bilateral entre os dois países desde 2017.
O encontro do republicano com o presidente chinês, Xi Jinping, acontece em meio a tensões ente as duas principais potências econômicas do mundo — incluindo acusações de Trump de que a China estaria realizando testes nucleares.
O principal objetivo da visita, segundo já afirmou o presidente dos EUA, é tentar fazer com que a China abra mais seu mercado para empresas americanas, mas outros temas também devem ganhar destaque durante a estadia de Trump em Pequim. Entre eles:
a prorrogação da trégua alcançada em outubro na guerra das tarifas;
a guerra com o Irã — Trump quer pressionar Pequim a utilizar sua influência para contribuir para uma saída da crise no Golfo;
a relação dos dois países com Taiwan;
a disputa sobre inteligência artificial e a produção de chips, entre outros.
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ENTENDA: por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China?
Por que encontro entre Trump e Xi deve definir relação entre superpotências
Guerra no Oriente Médio segue na mira
As chances de um cessar-fogo entre Irã e os EUA diminuíram após Donald Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”.
O Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito e exigiu o fim da guerra, compensações pelos danos e o fim do bloqueio naval dos EUA.
🔎As tensões na região continuam a mexer com os preços do petróleo no mercado internacional: o barril do Brent ultrapassou US$ 107 com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.
Autoridades iranianas mantiveram o tom duro e afirmaram que o país pode ampliar seu programa nuclear caso volte a ser atacado.
Enquanto isso, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de ajudar o Irã a vender petróleo para a China.
Eleições e taxa das blusinhas
O cenário político brasileiro também fica no radar, em meio à proximidade cada vez maior das eleições presidenciais, que acontecem em outubro neste ano.
Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada hoje, mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente em um cenário de 2º turno. Lula voltou a ficar à frente numericamente, com 42% das intenções de voto. Flávio tem 41%.
Na pesquisa anterior da Quaest, de abril, era o senador quem aparecia à frente. Em março, eles estavam numericamente empatados, com 41% cada. O presidente tinha uma vantagem de dez pontos em dezembro, que depois caiu para sete pontos e janeiro e cinco em fevereiro.
“É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui”, afirmou o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
Além disso, o presidente Lula anunciou, ontem, o fim da chamada taxa das blusinhas. O termo é utilizado para se referir ao imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, cobrado através do programa Remessa Conforme.
A medida não muda regras do ICMS, um imposto estadual que também é cobrado nessas compras. Em abril, dez estados elevaram a alíquota do ICMS para essas compras de 17% para 20%.
A cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, que foi sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa.
A mudança foi vista como uma medida eleitoreira e coloca atenção ao quadro fiscal do país, uma vez que também representa uma perda de arrecadação para o governo.
Mercados globais
Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam sem direção única nesta quarta-feira (13), conforme investidores repercutiam novos dados de inflação ao produtor nos EUA.
Os dados vieram acima do esperado e voltaram a reforçar a perspectiva de que o Federal reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve manter os juros elevados por mais tempo.
O Dow Jones registrou queda de 0,14%, enquanto o S&P 500 subiu 0,5% e o Nasdaq avançou 1,20%.
Já na Europa, as principais bolsas fecharam em alta. O índice alemão DAX subiu 0,76%, enquanto o francês CAC 40 avançou 0,35%. Já o FTSE 100, de Londres, avançou 0,58%.
Na Ásia as ações de Xangai atingiram as máximas em 11 anos nesta quarta-feira, conforme investidores aproveitavam a queda antecipada do setor de tecnologia antes da reunião entre os líderes dos EUA e da China.
O índice Shangai Composite subiu 0,7%, atingindo o nível mais alto desde julho de 2015. Já em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,2%, e o japonês Nikkei teve ganhos de 0,8%.
Dólar
Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

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