Dólar e Ibovespa operam em alta com IPCA e falas de Haddad no foco
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em alta nesta terça-feira (10), um dia depois de fechar no menor patamar desde maio de 2024. A moeda avançava 0,28% por volta das 13h, negociada a R$ 5,2023. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 0,24% no mesmo horário, aos 186.680 pontos, rumo a um novo recorde.
▶️ No Brasil, o destaque ficou com a divulgação do IPCA, índice oficial de inflação. Segundo o IBGE, os preços subiram 0,33% em janeiro e acumulam alta de 4,44% em 12 meses, um pouco acima das projeções do mercado, que apontavam avanço de 0,32% no mês e de 4,43% no acumulado anual.
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▶️ A participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em um evento promovido pelo BTG Pactual também ficou no radar. Em seu discurso, Haddad defendeu um novo desenho para os gastos sociais e falou sobre a possibilidade de unificar benefícios. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent também estava presente no evento.
▶️ Nos EUA, investidores avaliam uma série de indicadores econômicos, além de ficarem de olho em eventuais falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A presidente da distrital do Fed em Cleveland, Beth Hammack, participa de uma conferência às 14h, enquanto a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, fala em um painel às 15h.
▶️ Entre os indicadores americanos, as vendas no varejo permaneceram inalteradas em dezembro, conforme as famílias reduziram gastos com veículos e outros itens de alto valor. Dados de preços de importados e dos estoques de empresas e do petróleo também ficam no radar, em meio à espera pelo relatório de empregos (payroll), previsto para amanhã (11).
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,62%;
Acumulado do mês: -1,14%;
Acumulado do ano: -5,48%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,80%;
Acumulado do mês: +2,69%;
Acumulado do ano: +15,59%.
Inflação
No primeiro Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano, o IBGE mostrou que os preços subiram 0,33% em janeiro, resultado levemente acima das projeções do mercado.
No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,44%, maior que os 4,26% registrados no período anterior.
O principal impacto veio do grupo Transportes, que avançou 0,60%, puxado pela alta dos combustíveis — especialmente a gasolina, que subiu 2,06% — e por reajustes nas tarifas de ônibus em diversas capitais. Em contrapartida, passagens aéreas e transporte por aplicativo tiveram queda.
Também pesaram no índice os grupos Comunicação (0,82%) e Saúde e cuidados pessoais (0,70%). Já Habitação recuou 0,11%, influenciada pela queda da energia elétrica com a mudança da bandeira tarifária para verde.
Na alimentação, houve desaceleração: os preços subiram 0,23%, com quedas no leite e nos ovos, mas forte alta do tomate. Entre as capitais, Rio Branco registrou a maior variação mensal, enquanto Belém teve a menor.
CEO Conference
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu uma reformulação dos gastos sociais do governo, com a possibilidade de unificação de benefícios, nos moldes do que foi feito em 2003 com a criação do Bolsa Família.
Segundo ele, estudos técnicos avaliam um modelo mais moderno e eficiente, sem necessariamente reduzir despesas.
“Está sendo discutido se, com o atual nível de investimento em Previdência Social, não seria o caso de repetir o que o Lula fez em 2003, quando havia vários programas e o Bolsa Família nasceu como um grande guarda-chuva [que os unificou]”, afirmou o ministro durante participação no CEO Conference, promovido pelo banco BTG Pactual.
Haddad também afirmou que o Brasil pode estar maduro para discutir um programa de renda básica e defendeu o arcabouço fiscal, embora reconheça preocupações sobre seu funcionamento. Sobre os juros, disse que o patamar atual é elevado e dificulta o equilíbrio das contas públicas.
O ministro também comentou que o caso do Banco Master evidenciou que a legislação atual não foi “suficientemente robusta” para evitar um caso de fraude de R$ 12 bilhões.
Bolsas globais
Em Wall Street, os índices futuros indicam que as bolsas dos Estados Unidos devem abrir praticamente estáveis nesta terça-feira, sinal de um início de pregão mais cauteloso.
Os investidores aguardam novos balanços de empresas e a divulgação de dados importantes sobre emprego e inflação nos EUA, que foram divulgados com atraso.
Por volta das 5h45 da manhã (horário do leste dos EUA), o Dow Jones futuro subia 35 pontos (alta de 0,1%), o S&P 500 futuro avançava 0,1% e o Nasdaq futuro operava próximo da estabilidade.
Na Ásia, as bolsas da China fecharam levemente em alta nesta terça-feira, com as ações de empresas de comunicação e mídia subindo mais do que as perdas das empresas do setor imobiliário.
O bom desempenho veio, principalmente, do entusiasmo com uma nova tecnologia de inteligência artificial da ByteDance (dona do TikTok), que animou investidores no setor de mídia e entretenimento.
Já as empresas ligadas a imóveis caíram, refletindo dificuldades ainda presentes nesse mercado. O movimento foi fraco porque muitos investidores estão evitando negociar antes do feriado do Ano Novo Lunar, um dos mais importantes da China, que dura cerca de uma semana.
Em outros mercados da Ásia, o dia foi de altas na maioria das bolsas. Japão e Taiwan registraram fortes altas, com o Nikkei avançando 2,3% e o Taiex subindo 2,06%. Hong Kong também fechou em alta, com o Hang Seng ganhando 0,58%.
A Coreia do Sul teve desempenho praticamente estável, com o Kospi em alta de 0,07%. Já Singapura e Austrália encerraram o dia em leve queda: o Straits Times recuou 0,07% e o S&P/ASX 200 caiu 0,03%.
Além disso, notícias de uma possível melhora nas relações entre Estados Unidos e China ajudaram a reduzir a tensão no mercado.
Cédulas de dólar
bearfotos/Freepik
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