A Microsoft informou nesta quarta-feira (28) que seu lucro trimestral aumentou quase 25%, impulsionado pela forte demanda por serviços de inteligência artificial em sua divisão de computação em nuvem. Ao mesmo tempo, os gastos com data centers da companhia dispararam 66%.
A gigante do software anunciou que o lucro líquido ajustado subiu 23% na comparação anual, para US$ 30,9 bilhões, no trimestre encerrado em dezembro, acima da expectativa de analistas, de US$ 28,9 bilhões.
A receita cresceu 17%, para US$ 81,3 bilhões, superando as projeções do mercado, que apontavam US$ 80,3 bilhões.
“Estamos apenas no início da difusão da IA e a Microsoft já construiu um negócio de inteligência artificial maior do que algumas de nossas maiores franquias”, afirmou o CEO Satya Nadella.
Avaliada em US$ 3,6 trilhões, a empresa está envolvida em uma corrida custosa com rivais do setor de nuvem, como Google e Amazon, para expandir a infraestrutura necessária ao funcionamento de sistemas avançados de IA.
Os investimentos de capital, incluindo arrendamentos financeiros, somaram US$ 37,5 bilhões no trimestre, acima dos US$ 34,9 bilhões registrados nos três meses anteriores e dos US$ 22,6 bilhões no mesmo período do ano passado.
Segundo a empresa, cerca de dois terços desse valor foram destinados a ativos de vida útil curta, como chips de GPU e CPU, para sustentar o negócio principal de data centers.
Anteriormente, a Microsoft havia projetado quase US$ 140 bilhões em gastos de capital para o atual exercício fiscal, que se encerra em junho.
As vendas da divisão de nuvem —observada de perto pelo mercado e que inclui a plataforma de computação Azure— cresceram 26% em relação ao ano anterior, para US$ 51,5 bilhões, refletindo o avanço das receitas ligadas à IA.
“A receita da Microsoft Cloud ultrapassou US$ 50 bilhões neste trimestre, refletindo a forte demanda pelo nosso portfólio de serviços”, disse a diretora financeira Amy Hood.
Apesar do resultado positivo, as ações da companhia, com sede em Redmond, no estado de Washington, caíram 5,6% nas negociações após o encerramento do pregão.
Sem ajustes, o lucro líquido subiu 60%, para US$ 38,5 bilhões, impulsionado por um ganho contábil de US$ 7,6 bilhões referente à participação da Microsoft na OpenAI. O valor reflete o aumento do caixa da startup após sucessivas rodadas de captação.
A Microsoft detém uma fatia de 27% da desenvolvedora de modelos de IA, depois que a OpenAI se reestruturou, em outubro, passando de uma organização sem fins lucrativos para uma empresa com fins comerciais mais tradicionais.