Dólar recua e bolsa avança com investidores atentos a dados dos EUA e orçamento no Brasil
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em queda nesta sexta-feira (19) e recuava 0,32% por volta das 12h05, cotado a R$ 5,5061. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 0,69%, aos 159.010 pontos.
Os investidores iniciam o dia atentos a indicadores econômicos e ao cenário político. A agenda inclui dados relevantes no Brasil e nos Estados Unidos, além da votação do Orçamento.
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▶️ Em Brasília, a Câmara dos Deputados vota hoje o Orçamento de 2026. A sessão está marcada para o meio-dia, no Plenário, e deve concentrar atenções pelo impacto fiscal e pelas disputas políticas em torno da proposta.
▶️ Ainda pela manhã, o Banco Central informou que o Brasil teve déficit de US$ 4,943 bilhões nas transações correntes em novembro, resultado praticamente em linha com o que o mercado esperava. Em novembro do ano passado, o saldo negativo havia sido menor.
▶️ No campo político, pesquisa AtlasIntel divulgada na véspera mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente nas simulações para a eleição de 2026. O levantamento também indica desempenho de Flávio superior ao do governador paulista Tarcísio de Freitas no primeiro turno.
▶️ Nos EUA, serão divulgados os números de vendas de moradias usadas de novembro e o índice de confiança do consumidor de dezembro — dois termômetros importantes para avaliar o ritmo da economia americana.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado:
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +2,07%;
Acumulado do mês: +3,51%;
Acumulado do ano: -10,63%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: -1,77%;
Acumulado do mês: -0,72%;
Acumulado do ano: +31,29%.
Investimentos no Brasil
O Brasil recebeu em novembro um volume de investimento estrangeiro direto acima do que o mercado previa. Com isso, o total acumulado no ano já ultrapassou a estimativa do Banco Central para 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira.
O investimento direto — recursos aplicados por empresas estrangeiras na economia brasileira, como abertura de fábricas, ampliação de operações ou participação em companhias locais — somou US$ 9,820 bilhões em novembro.
👉 O valor ficou acima dos US$ 6,5 bilhões esperados por analistas consultados pela Reuters e também superou o registrado no mesmo mês de 2024, quando haviam entrado US$ 5,664 bilhões.
De janeiro a novembro, o ingresso desse tipo de capital alcançou US$ 84,164 bilhões, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.
O montante já supera a projeção do Banco Central para o ano inteiro, atualmente em US$ 75 bilhões — estimativa que havia sido revisada na véspera, após inicialmente prever US$ 70 bilhões.
Segundo o BC, a nova projeção equivale a entradas de investimento direto de cerca de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse percentual está próximo da média registrada desde 2021 e levemente abaixo dos 3,7% observados na década anterior à pandemia.
No acumulado de 12 meses até novembro, porém, o investimento direto correspondeu a 3,76% do PIB. Esse volume foi suficiente para cobrir o déficit em conta corrente, que ficou em 3,47% do PIB. A conta corrente reúne todas as transações do país com o exterior, como comércio de bens, serviços, rendas e transferências.
Em novembro, o déficit em transações correntes foi de US$ 4,943 bilhões, resultado alinhado à expectativa do mercado, que apontava para um saldo negativo de US$ 4,95 bilhões. No mesmo mês de 2024, o déficit havia sido de US$ 4,418 bilhões.
Um dos componentes desse resultado foi a conta de renda primária, que inclui remessas de lucros, dividendos e pagamento de juros ao exterior. Em novembro, essa conta apresentou déficit de US$ 6,169 bilhões, maior do que o rombo de US$ 5,796 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior.
A balança comercial — diferença entre exportações e importações de bens — teve superávit de US$ 5,119 bilhões em novembro, abaixo do saldo positivo de US$ 6,043 bilhões observado um ano antes.
Já a conta de serviços, que engloba gastos com viagens internacionais, transportes, seguros e serviços contratados no exterior, registrou déficit de US$ 4,454 bilhões, menor do que o resultado negativo de US$ 5,051 bilhões em novembro de 2024.
Bolsas globais
Os mercados futuros em Wall Street operam mistos nesta sexta-feira. As ações de tecnologia seguem em recuperação após ganhos expressivos na véspera, impulsionados pelo otimismo com empresas de chips e inteligência artificial.
Por outro lado, a Nike recua fortemente após divulgar queda nas vendas na China pelo sexto trimestre consecutivo e margens menores, o que pressiona o Dow Jones.
Investidores também avaliam dados recentes de inflação, que vieram abaixo do esperado em novembro, embora com impacto da paralisação do governo, e aguardam sinais sobre juros.
Por volta das 10h (horário de Brasília), os futuros do S&P 500 subiam 0,12%, os da Nasdaq avançavam 0,24%, enquanto os do Dow Jones caíam 0,06%.
Enquanto isso, as bolsas europeias operam com leve alta, em meio à análise das recentes decisões de política monetária na região e à expectativa por negociações orçamentárias na França.
Ontem, vários bancos centrais divulgaram suas decisões: o Banco da Inglaterra reduziu a taxa básica em 0,25 ponto, enquanto BCE, Norges Bank e Riksbank mantiveram os juros. O BCE também revisou para cima as projeções de crescimento da zona do euro, indicando expansão de até 1,4% em 2025.
Durante a manhã, o índice Stoxx 600 subia 0,11%. Entre os principais mercados, o DAX da Alemanha avançava 0,14%, o FTSE 100 do Reino Unido ganhava 0,07% e o CAC 40 da França tinha alta de 0,16%.
Já as bolsas asiáticas fecharam em alta, embora tenham encerrado a semana praticamente estáveis.
Investidores mantiveram cautela diante da falta de novos sinais corporativos, enquanto ações de Hong Kong acumularam queda semanal.
O setor de tecnologia ficou no radar após notícias sobre possível liberação de chips avançados da Nvidia para a China, mas os movimentos foram contidos.
No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,36%, a 3.890 pontos, e o CSI300 avançou 0,34%, a 4.568 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,75%, a 25.690 pontos.
Em Tóquio, o Nikkei teve alta de 1%, a 49.507 pontos. Outros mercados também fecharam positivos: Seul (+0,65%), Taiwan (+0,83%) e Cingapura (+0,18%).
Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo
Jornal Nacional/ Reprodução
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