Dólar opera em alta e bolsa recua com ata do Copom e dados de emprego nos EUA

Dólar e Ibovespa operam em baixa, à espera de dados de emprego nos EUA e decisão de juros na Europa
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em alta nesta terça-feira (16), com avanço de 0,74% por volta das 12h30, cotado a R$ 5,4628. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 1,63%, aos 159.831 pontos.
Os mercados começam o dia de olho na agenda do Brasil e dos Estados Unidos. No cenário doméstico, a atenção se volta à ata do Copom, que traz mais detalhes sobre a decisão do Banco Central em manter os juros. Lá fora, indicadores de emprego e consumo ajudam a calibrar as expectativas sobre quando o Fed pode iniciar cortes nas taxas.
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▶️ No Brasil, a ata da última reunião do Copom reforçou sinais de desaceleração da atividade e queda da inflação, mas não indicou quando poderá começar a reduzir a taxa básica. O BC afirmou que seguirá vigilante e não hesitará em retomar altas se necessário.
▶️ Nos EUA, o relatório de empregos (payroll) mostrou criação de 64 mil vagas em novembro, acima das expectativas do mercado, que giravam em torno de 50 mil postos. O dado veio após um tombo expressivo em outubro. (veja mais abaixo)
🔎 O resultado mais forte reduz a pressão por um corte imediato de juros. Apesar da alta da taxa de desemprego, o avanço do emprego privado e a surpresa positiva no número de vagas reforçam a cautela do Federal Reserve e diminuem as apostas em um corte já na reunião de janeiro.
▶️ Também nos EUA, saem dados de vendas no varejo de outubro, com previsão de alta de 0,2% no mês e avanço de 2,7% na base anual. A agenda inclui ainda índices PMI preliminares de indústria e serviços para dezembro, além de estoques empresariais e de petróleo.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado:
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,23%;
Acumulado do mês: +1,64%;
Acumulado do ano: -12,25%.
📈Ibovespa

C

Acumulado da semana: +1,07%;
Acumulado do mês: +2,14%;
Acumulado do ano: +35,08%.
Ata do Copom
O Banco Central informou nesta terça-feira que a economia brasileira segue em desaceleração gradual, enquanto a inflação atual e as expectativas para os próximos meses continuam recuando.
Esse movimento, em tese, abre espaço para cortes de juros no futuro, mas ainda não no curto prazo.
👉 Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, a autoridade monetária manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos — pela quarta vez consecutiva.
O documento não trouxe sinalizações sobre quando os juros poderão começar a cair e reforçou que o Banco Central seguirá atento ao cenário, podendo inclusive voltar a elevar a taxa, se necessário.
Segundo o Copom, embora as expectativas de inflação estejam em trajetória de queda, elas ainda permanecem acima da meta oficial definida pelo governo.
Por isso, o comitê avalia que é preciso manter os juros elevados por mais tempo para garantir que a inflação convirja para o objetivo com menor risco para a economia.
🔎 Em um cenário de expectativas “desancoradas” — quando o mercado não está plenamente convencido de que a inflação ficará dentro da meta —, a política monetária precisa ser mais restritiva.
A ata também destacou que a condução cautelosa da política de juros tem ajudado a conter a inflação. O BC reiterou seu compromisso com o controle dos preços e afirmou que o cenário atual exige uma política monetária contracionista — isto é, com juros altos — por um período prolongado.
Além disso, o BC explicou que a desaceleração da economia faz parte da estratégia para conter a inflação. Dados recentes mostram crescimento mais moderado do PIB e desaceleração no consumo das famílias, movimento considerado essencial para reduzir as pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços.
Agenda econômica
Dados de empregos nos EUA (payroll)
O mercado de trabalho dos EUA voltou a registrar uma forte criação de vagas em novembro. De acordo com o relatório divulgado pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho, a economia americana abriu 64 mil vagas fora do setor agrícola no mês.
O resultado superou as expectativas do mercado, que previa a criação de 50 mil vagas. Além disso, a recuperação ocorreu após um expressivo recuo em outubro, quando o país perdeu 105 mil postos de trabalho.
Esse desempenho negativo foi influenciado principalmente pela saída de mais de 150 mil funcionários federais, que aderiram a programas de demissão voluntária dentro da estratégia do governo do presidente Donald Trump para reduzir o tamanho da máquina pública.
A maioria desses desligamentos ocorreu no fim de setembro, mas seus efeitos apareceram nas estatísticas de outubro.
O relatório de novembro foi publicado com atraso e trouxe apenas uma atualização parcial dos dados de outubro. Isso ocorreu porque a paralisação do governo federal — que durou 43 dias e foi a mais longa da história do país — impediu a coleta completa das informações naquele período.
Por essa razão, o documento não incluiu a taxa de desemprego nem outros indicadores referentes a outubro.
Em relação ao desemprego, a taxa era de 4,4% em setembro e subiu para 4,6% em novembro, sinalizando um enfraquecimento gradual do mercado de trabalho. O órgão de estatísticas explicou que precisou fazer ajustes nos cálculos da força de trabalho, já que não houve levantamento de dados em outubro.
Para Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, os dados do payroll trouxeram um quadro misto sobre o mercado de trabalho americano, o que ajuda a explicar a volatilidade recente do dólar.
Segundo ele, a alta da taxa de desemprego, não ocorreu por um aumento nas demissões, mas porque mais pessoas passaram a buscar trabalho em um ritmo que as empresas não conseguiram absorver.
Além disso, na leitura do analista, esse conjunto de informações ajuda a entender o comportamento do dólar.
“O dado inicialmente pressionou a moeda americana para baixo, mas a força do emprego privado levou a uma recuperação do dólar, ao reforçar a percepção de que o Federal Reserve pode demorar mais para cortar os juros”, afirmou.
Segundo Mattos, a incerteza gerada pela paralisação do governo e pelos problemas na coleta dos dados também deve levar o Fed a esperar novas informações antes de reduzir os juros, o que tende a fortalecer o dólar globalmente e pressionar moedas como o real.
Vendas no varejo americano
As vendas no varejo dos Estados Unidos ficaram estáveis em outubro, indicando que o consumo não avançou no mês, apesar de os gastos das famílias ainda mostrarem alguma resiliência no início do quarto trimestre.
A leitura de outubro sucedeu um crescimento de 0,1% em setembro, número que foi revisado para baixo. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam uma alta de 0,1% nas vendas, após um avanço de 0,2% estimado anteriormente para setembro.
As vendas no varejo medem principalmente a comercialização de bens — como alimentos, roupas e eletrodomésticos — e não consideram ajustes pela inflação. Isso significa que o dado reflete valores nominais: se os preços sobem, as vendas podem parecer maiores mesmo sem aumento no volume comprado.
Segundo economistas, os consumidores norte-americanos seguem pressionados por preços mais altos de diversos produtos, especialmente alimentos, móveis e itens importados, afetados pelas tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump.
Além disso, despesas com saúde e moradia também aumentaram, pesando no orçamento das famílias.
Já as vendas no varejo chamadas de “núcleo” — que excluem automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços de alimentação — cresceram 0,8% em outubro, após queda de 0,1% em setembro.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street caíam na abertura desta terça-feira depois que os dados sinalizaram o esfriamento da economia dos Estados Unidos, abrindo caminho para mais afrouxamento monetário pelo Federal Reserve no próximo ano.
O Dow Jones Industrial Average caía 0,08% na abertura, para 48.380,17 pontos. O S&P 500 recuava 0,24%, a 6.800,12 pontos, enquanto a Nasdaq Composite tinha queda de 0,33%, para 22.981,819 pontos.
As bolsas europeias operavam com leve alta, apoiadas por ganhos nos setores financeiro e de saúde, enquanto quedas em tecnologia e defesa limitaram o avanço.
Por volta das 9h15, o índice Stoxx 600 subia 0,2%, a 583,39 pontos. Entre os principais mercados, o DAX da Alemanha avançava 0,07%, o FTSE 100 do Reino Unido ganhava 0,03%, o CAC 40 da França tinha alta de 0,29% e o FTSE MIB da Itália subia 0,19%.
Os mercados asiáticos fecharam em queda, pressionados pelo nervosismo antes da divulgação dos dados econômicos dos EUA e por sinais de fragilidade na economia chinesa.
Além disso, o setor imobiliário voltou a pesar, enquanto ações ligadas à nova energia e inteligência artificial também recuaram. Analistas afirmam que o mercado precisa de estímulos mais fortes para retomar a alta.
No fechamento, em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,54%, a 25.235 pontos, enquanto em Xangai o SSEC perdeu 1,11%, a 3.824 pontos, e o CSI300 caiu 1,20%, a 4.497 pontos. No Japão, o Nikkei 1,6%, a 49.373 pontos.
Outros mercados também tiveram baixa: Seul (-2,24%), Taiwan (-1,19%) e Cingapura (-0,20%).
Notas de 1 dólar
Rafael Holanda/g1
*Com informações da agência de notícias Reuters

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