Dólar opera em queda com investidores à espera do Copom e dados dos EUA; bolsa recua

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Banco Central publica norma para acabar com ‘contas-bolsão’ usadas pelo crime organizado para lavar dinheiro
O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (5) com leve variação. Por volta das 10h40, a moeda americana recuava 0,19%, sendo negociada a R$ 5,3890. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,20%, aos 150.406 pontos.
Os investidores aguardam com atenção o resultado da reunião do Copom, que será conhecido no fim do dia — a expectativa é de que o Banco Central mantenha a Selic em 15% ao ano. No exterior, dados de emprego e atividade econômica nos Estados Unidos devem ajudar a calibrar o humor dos investidores.
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▶️ O Comitê de Política Monetária (Copom) encerra hoje sua reunião iniciada na véspera, e o mercado aposta na manutenção da taxa básica em 15% ao ano. Mesmo com sinais de desaceleração e inflação mais contida, analistas entendem que ainda é cedo para iniciar cortes de juros.
▶️ Nos EUA, o relatório da ADP, que mede a criação de vagas no setor privado, será divulgado às 10h15 e servirá como referência antecipada para o Payroll — relatório oficial de empregos do governo, suspenso por causa do shutdown.
▶️ Ainda por lá, a Suprema Corte analisa nesta quarta-feira a legalidade das tarifas impostas durante o governo Donald Trump, que atingiram diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil. A decisão pode reabrir o debate sobre o protecionismo e os impactos nas cadeias globais.
▶️ A paralisação do governo americano chegou ao 36º dia, tornando-se a mais longa da história do país. O impasse começou em 1º de outubro, após o Congresso não aprovar o orçamento, e segue sem perspectiva de acordo entre democratas e republicanos.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,35%;
Acumulado do mês: +0,35%;
Acumulado do ano: -12,64%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,78%;
Acumulado do mês: +0,78%;
Acumulado do ano: +25,29%.
Decisão do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta quarta-feira (5) e deve manter a taxa básica de juros da economia inalterada em 15% ao ano — o maior patamar em quase 20 anos.
Se confirmada, esta será a terceira manutenção seguida da taxa Selic. Essa é a expectativa dos economistas do mercado financeiro, que preveem início do ciclo de corte dos juros somente para janeiro de 2026. O anúncio da decisão do BC acontecerá após as 18h.
De acordo com Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, o cenário da economia evoluiu de maneira positiva nas últimas semanas.
Não somente com a queda da inflação além do esperado, mas também importante revisão para baixo das expectativas de inflação dos analistas, inclusive para os prazos mais longos.
“As surpresas positivas nos últimos dados de inflação refletem não somente o impacto do câmbio mais favorável, cenário que deve ainda perdurar, mas também uma desaceleração da inflação de serviços, apesar do mercado de trabalho robusto”, disse Rafaela Vitoria, do banco Inter.
Na visão dela, o Copom já poderia abrir a porta para iniciar a discussão sobre corte de juros a partir de dezembro, mas “deve manter ainda um discurso mais cauteloso, mantendo a indicação de juros altos por mais tempo, empurrando a discussão de início dos cortes na Selic para o primeiro trimestre de 2026”.
Já Solange Srour, head of Brazil Macroeconomics, UBS Global Wealth Management, observou que houve atrasos na execução orçamentária no primeiro semestre deste ano e queda de gastos por parte do governo.
Entretanto, ponderou que deverá haver um “impulso fiscal [alta de despesas] mais robusto nos próximos meses” com reflexo na inflação.
Maior shutdown da história
A paralisação do governo dos EUA chegou nesta quarta-feira ao 36º dia, tornando-se oficialmente a mais longa da história do país.
O impasse começou em 1º de outubro, após o Congresso não conseguir aprovar um novo pacote de financiamento. Desde então, milhões de americanos têm enfrentado impactos diretos, como atrasos em viagens, suspensão de serviços e falta de pagamento a servidores públicos.
A assistência alimentar para cerca de 42 milhões de pessoas foi interrompida, deixando famílias sem os cerca de US$ 180 mensais. Funcionários federais, incluindo policiais, militares e agentes de aeroportos, estão sem receber salários.
Desde o início da paralisação, mais de 3,2 milhões de passageiros enfrentaram atrasos ou cancelamentos de voos.
O Escritório de Orçamento do Congresso estima que, se durar mais uma semana, o impacto na economia pode chegar a US$ 11 bilhões.
Após decisão judicial, o governo foi obrigado a liberar recursos emergenciais, mas o presidente Donald Trump afirmou: “[Os benefícios] só serão pagos quando os democratas abrirem o governo”.
No Senado, republicanos prometeram votar a extensão de subsídios de saúde em troca da reabertura, mas democratas consideram a proposta insuficiente. “Estamos explorando todas as opções”, disse o líder democrata Chuck Schumer. Enquanto isso, o Congresso segue sem acordo.
O shutdown também tem provocado o atraso dos dados oficiais, como o payroll e o índice de preços ao consumidor (CPI), deixando os investidores sem parâmetros claros sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Bolsas globais
Os mercados futuros americanos operam em queda nesta quarta-feira, pressionados pela forte venda de ações de tecnologia. O movimento elevou a volatilidade e aumentou a busca por ativos considerados mais seguros, como ouro e títulos públicos.
A cautela também reflete preocupações com o cenário global e as avaliações elevadas de empresas ligadas à inteligência artificial.
Antes da abertura, os índices futuros em Wall Street apontavam para perdas. O Dow Jones recuava 0,03%, o S&P 500 caía 0,15% e o Nasdaq tinha queda de 0,29%.
Na Europa, os mercados seguem em baixa, acompanhando o clima de cautela observado nos EUA e na Ásia. Investidores demonstram preocupação com os preços elevados das ações de tecnologia e inteligência artificial, temendo que o setor esteja sobrevalorizado e possa enfrentar correções mais fortes.
No meio da manhã, os principais índices europeus registravam queda. O STOXX 600 recuava 0,34%, o DAX (Alemanha) caía 0,61%, o FTSE 100 (Reino Unido) perdia 0,08%, o CAC 40 (França) tinha baixa de 0,21% e o FTSE MIB (Itália) cedia 0,31%.
Os mercados asiáticos fecharam mistos nesta quarta-feira. Na China, os índices subiram após uma sessão instável, com destaque para ações de energia solar e novas tecnologias, que compensaram o nervosismo causado pela queda em Wall Street no dia anterior.
Já em outras regiões, o sentimento foi mais negativo, com investidores migrando para setores mais defensivos.
No fechamento, o Nikkei (Tóquio) avançou 2,5%, enquanto o SSEC (Xangai) subiu 0,23% e o CSI300 teve alta de 0,19%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,07%. Já o Kospi (Seul) recuou 2,85%, o Taiex (Taiwan) perdeu 1,42% e o Straits Times (Cingapura) teve baixa de 0,14%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
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